A Arte de Curar



Sou formada em medicina, especializada em psiquiatria – e confesso que sinto uma pontada de tristeza quando lembro dos sonhos, ilusões e esperanças que tinha no dia da minha formatura.....

Os sonhos e as ilusões se foram com a pressão do dia a dia do “mundo moderno” e com as cenas de sofrimento diário nos grandes hospitais e ambulatórios da vida. Cenas que, infelizmente, nos mostram o quanto a doença é fonte de lucro e ao longo dos anos se tornou uma forte indústria no atual cenário capitalista. Cedo percebi que a arte de curar era algo distorcido na medicina ocidental contemporânea – algo que está em segundo plano.

Porém, nunca perdi a esperança de encontrar uma via que me permitisse resgatar e exercer o antigo conceito de cura. E foi essa esperança que me levou à Homeopatia.

Falar sobre o conceito de curar e ajudar ao próximo não é fácil; há muito a dizer e o espaço é curto. Surgem então na minha mente as palavras prece e espiritualidade. Penso na necessidade urgente de se reintegrar o conceito de espiritualidade na fria medicina atual. Movida por esse desejo, fui beber na fonte de conhecimento: as antigas e sábias culturas, como a celta, a hindu, a asiática, a indígena – para quem o corpo e o espírito sempre foram e serão um só e, a cola que os mantém juntos é o Amor.



A prece é o ato e a presença de enviar essa luz da fartura do nosso amor a outras pessoas, para curá-las, libertá-las e abençoá-las. Quando existe amor na nossa vida, devemos partilhá-lo espiritualmente com aqueles que foram empurrados para a margem da vida.

Na tradição celta, existe uma encantadora ideia de que se enviamos bondade a a alguém, ou se partilhamos o que é feliz ou bom dentro de nós, tudo voltará multiplicado dez mil vezes. No reino do amor não existe competição; não existe possessão ou controle. Quanto mais amor se distribuir, mais amor se terá.



Segundo Dante “o ritmo secreto do universo é o ritmo do amor, que move as estrelas e os planetas. O amor é a origem, o centro e o destino da experiência”.

Sem amor não há cura verdadeira e profunda.

Denyze Parga