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| A deusa Atena |
Afinal, acordar correndo, engolir qualquer coisa, passar 8 horas num trabalho que nos esgota, voltar para casa ver novela e dormir não parece ser sinônimo de felicidade para ninguém. Parece que andamos hipnotizados, guiados para produzir e consumir – sem tempo para cumprir o nosso real propósito de olhar para dentro, melhorar o nosso interior, nos conectar com a energia superior, olhar para fora e ajudar os outros.
A vida não deveria ser simplesmente passar 35 anos num emprego que mal se suporta e sonhar com a aposentadoria para ser feliz. Deveríamos ser felizes, coerentes e satisfeitos em fazer o melhor possível a cada momento. Fazer de cada ação nossa uma escolha responsável que leve à realização, à satisfação, com consciência de que todo ato é mais um passo em frente na longa caminhada rumo à plenitude.
Tendo o objetivo de crescimento lá na frente, cada km nesse caminho já é percorrido com alegria e felicidade, porque sentimos que estamos no comando da vida, sintonizados com nossos sonhos e lutando por eles.
Fácil falar, claro. Mas como se começa esse caminho? Como dar o primeiro passo?
Talvez possamos voltar “um pouco” atrás no tempo e olhar para as lições dos antigos gregos. Ouvir a voz da deusa Atena – que nesse mundo caótico e barulhento, parece quase um sussurro. Portanto, apuremos nossos ouvidos.
Atena, deusa da sabedoria, das Artes, da Estratégia e da Justiça no panteão grego, nos ensina muito sobre o discernimento e sua importância. A deusa nos ensina como pesar e avaliar para reagir com sabedoria às situações que a vida nos coloca. E surpresa!: ela nos ensina como fazê-lo.
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| Barbie inspirada em Atena |
Porque a sua visão não vem dos olhos, mas da consciência.
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| coruja, um dos símbolos da deusa |
Às vezes me pergunto: por que as pessoas, de modo geral, têm tão pouco discernimento? E isso independe de seu grau de instrução acadêmica; pós-doutorandos, estudantes do ensino básico, adultos, idosos, quase todos nós temos a tendência para olhar para tudo em pedaços pequenos, partidos, parcelas mínimas de realidade, pequenos grupos de ideias. Prestamos atenção na árvore e não vemos a floresta (e muitas vezes ela está queimando).
Enrolado em si mesmo, o neurótico não quer a clareza nem a simplicidade; não percebe que pensar com limpidez e objetividade não é “abdicar da fantasia”– é uma forma objetiva de tornar o sonho realidade, em vez de entortar a realidade para fazê-la encaixar no sonho.
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| Atena com seus símbolos: o elmo e o escudo |
Para isso é preciso ousadia. Afinal, não é fácil sair da matrix, do modo piloto automático de viver, e ousar encarar a amplidão, e se questionar sobre as inúmeras escolhas que fazemos ou poderíamos fazer. Mas é essencial para reunirmos as ferramentas para construir a realidade que sonhamos, e não distorcer a realidade para ela se encaixar na nossa fantasia.

Agora, vamos pensar um pouco mais longe, e menos egoticamente: será que desse horizonte de visão ampliada o ser humano poderá evoluir para a tão necessária compaixão?
Fico imaginando que a compaixão dos espíritos evoluídos venha de sua “visão cósmica”; afinal, eles enxergam com tamanha amplitude que a essa distância todos os nossos erros, "falhas imperdoáveis", deslizes e dramas devem parecer mínimos – meros tropeços na jornada rumo ao autoaperfeiçoamento.
Atena nos fala há milênios…Talvez seja hora de parar e ouvir, não?




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